Cândido Portinari: o gênio elegante
A imagem que temos de Cândido Torquato Portinari (1903-1962) é de um artista plástico genial, provavelmente o maior que o Brasil já teve.
Filho de imigrantes italianos originarios de Chiampo na Província de Vicenza, foi menino pobre no interior paulista e revelou talento precoce.
Nasceu em Brodósqui, cujo nome estranho homenageia o eslavo Alexandre Brodowski, inspetor-geral da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, que passava pela cidade. As reminiscências da infância aparecem em muitas obras de Portinari.
Aos 8 anos, lançou-se no ofício auxiliando uma equipe de artesãos forasteiros, pintando estrelas no teto da igreja matriz.
Aos 15, mudou-se para o Rio de Janeiro, para estudar na Escola de Belas-Artes, onde se radicou para sempre, exceto de 1928 a 1930, quando estagiou na Europa, desfrutando um prêmio de viagem para o exterior. Quando voltou, introduziu no Brasil tendências e idéias da pintura moderna.
A seguir, inspirado pelo cubismo e pelo Pablo Picasso, Portinari surpreendeu o Brasil ao decompor e geometrizar de maneira inusitada por aqui as formas naturais.
Portinari deixou mais de 4 600 trabalhos, embora tenha vivido apenas 58 anos.
O tema básico de todo o seu trabalho foi a questão social, a situação do povo e o seu tipo de vida. Portinari mostrou essa preocupação da juventude até a morte. Em inúmeros murais espalhados por diversos lugares, no Brasil e exterior, esse foi um tema recorrente e característico.
Os temas históricos também ocupam uma parte importante da obra de Portinari mas a retratação do povo permanece como sua marca maior: a tragédia da seca nordestina, os campos estéreis, as favelas miseráveis, os adultos e as crianças de olhos esbugalhados, os esqueletos humanos barrigudos, os trabalhadores de mãos calejadas e pés desproporcionais, as lavadeiras de mãos ossudas...
Portinari pintou também muitos retratos e embora declarasse que não gostava de pintar retratos, ficava inteiramente a vontade nesse trabalho.
Assumidamente e declaradamente comunista, foi quase um retratista do governo Vergas, longe dos preceitos comunistas. Com um estilo clássico, foi um moderno.
Portinari meteu-se na política sem muito sucesso. Foi perseguido por ser comunista, numa época em que isso era considerado terrível. O Arcebispo de Belo Horizonte negou-se a consagrar a Igreja da Pampulha por conta dos murais de Portinari. O artista foi para o Uruguai mas voltou a tempo de ver o seu partido comunista ser declarado ilegal.
Mais tarde, o mesmo governo brasileiro o convidaria para pintar dois murais na sede da ONU. A guerra e a Paz. Idas e vindas na vida de Portinari. Foi pintando esses dois murais que adoeceu gravemente. O diagnóstico foi o pior possível: envenenamento por conta do uso de tintas. Teve que parar de pintar mas continuou desenhando.
Anos depois voltou a pintar, resistindo a pressão dos médicos para que parasse. Um novo envenenamento o encontrou mais velho e mais frágil e o levou a morte.
Morreu vitimado pela mesma coisa que lhe deu vida: a pintura.
Sobre a vida e as obras de Portinari veja também:
http://www.portinari.org.br
http://casadeportinari.com.br

|